TEMPO DE REAÇÃO
Na condução e de uma forma simples designa-se por tempo de reacção o
tempo que decorre entre a percepção (identificação) de um estímulo e o
momento em que o condutor inicia a resposta a esse estímulo, accionando o
respectivo comando do veículo.
Embora os condutores tenham a sensação de reagir instantaneamente, de
facto, entre o "ver" e o "agir" decorre, num condutor em situações e condições
normais, o tempo aproximado de 3/4 de segundo a 1 segundo. Este é o tempo
necessário para detectar o estímulo através dos sentidos (na condução o
sentido mais utilizado é a visão e depois a audição), identificá-lo, analisá-lo,
decidir qual a resposta mais adequada e o início da concretização dessa
resposta.
Vejamos no caso de um estímulo visual:
o
O olho capta o estímulo;
o
A informação é transmitida ao cérebro que, com recurso essencialmente à
memória, experiência e conhecimentos do condutor, a identifica, analisa,
decide e dá ordem aos músculos para agir;
o
Os músculos “cumprem” as ordens do cérebro e dão início à acção.
Exemplo, no caso de surgir
um obstáculo
em que se torne necessário
travar
Tempo de reacção
O condutor vê o obstáculo
Iniciaaacção
3/4desegundoa1
segundo
(emcondiçõesnormais)
O cérebro identifica, analisa, decide e comanda
Importa diferenciar, desde já, tempo de reacção e acto reflexo. Existem
estímulos aos quais respondemos sem previamente terem sido percepcionados
– é a chamada resposta reflexa. Contrariamente ao que é comum pensar-se, a
esmagadora maioria das acções de resposta a uma dada situação de trânsito
não são respostas reflexas. É, portanto, falso dizer que alguém é um óptimo
condutor só porque tem bons reflexos.
O tempo de reacção que depende, essencialmente:
do estado físico e psicológico do condutor;
da complexidade do estímulo percebido e da presença simultânea de
vários estímulos. Quanto mais complexo for o estímulo percebido maior
será o tempo de reacção assim como este aumentará na presença de
vários estímulos concomitantes;
das experiências similares já vividas pelo indivíduo. Se os estímulos
identificados já forem “familiares” o tempo de reacção poderá ser menor.
é um dos factores mais importantes na condução e pode ser influenciado
negativamente por diversos factores.
Vejamos alguns dos principais factores inerentes aos condutores, os chamados
factores internos ou intrínsecos, que levam ao aumento do tempo de reacção;
a presença de álcool no sangue que decorre da ingestão de bebidas
alcoólicas. O aumento do tempo de reacção é tanto maior quanto mais
elevada for a TAS;
o estado de fadiga e de sonolência;
a “toma” de alguns medicamentos que actuam a nível do sistema nervoso
como antipsicóticos, ansiolíticos, hipnóticos, sedativos , antidepressivos e
outros psicitópicos, assim como vários medicamentos de venda livre,
considerados geralmente inócuos, como analgésicos, xaropes antitússicos,
anti-histamínicos, antigripais, etc., muitas vezes automedicados;
estados de doença e estados emocionais fortes como o stress, a tristeza, a
euforia, a preocupação, etc.;
a progressão da idade;
o uso de telemóvel durante a condução.
ATENÇÃO
É normal que pessoas diferentes tenham tempos de reacção diferentes. O
maior perigo sobrevém da variação do tempo de reacção na mesma pessoa,
por efeito de diversos factores como os que atrás se referiram, especialmente
quando não existe consciência dessas alterações.
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